Quando as pessoas me perguntam de onde vem minha determinação, eu poderia falar de negócios, de estratégia, de mercado. Mas a verdade é mais simples — e mais profunda — do que isso. Eu sei o que é estar no limite. Quatro vezes na minha vida, estive no ponto onde muitos não voltam. E em cada uma delas, encontrei algo que nenhum curso de empreendedorismo ensina: clareza absoluta sobre o que realmente importa.
"Não nasci uma vez só. Nasci várias. E cada renascimento me trouxe mais propósito do que o anterior."
A Cisterna — 7 anos
Tinha sete anos quando caí em uma cisterna de mais de doze metros de profundidade. Era para eu não estar aqui. Não quebrei nada — absolutamente nada. Mas o impacto daquele momento ficou para sempre. Não como trauma, mas como revelação: havia algo maior me sustentando.
A criança que saiu daquela cisterna era diferente da que entrou. Mais consciente, de alguma forma, de que a vida é um presente que pode ser tirado a qualquer instante. E que, enquanto está aqui, merece ser vivida com intensidade.
A Meningite — Adolescência
Na adolescência, fui diagnosticado com meningite. Naquela época, pouquíssimas pessoas sobreviviam. Sobrevivi — com sequelas que carrego até hoje. Mas também com algo que poucos têm: a experiência visceral de que amanhã não é garantido.
Esse momento me ensinou a não adiar. Não adiar conversas importantes, não adiar projetos que fazem sentido, não adiar a vida que você quer construir. Quem já esteve perto da morte sabe que o maior desperdício não é falhar — é não tentar.
A Carreta — Vida adulta
O acidente foi severo. Entrei debaixo de uma carreta. Qualquer pessoa que tivesse visto a cena diria que não havia como sobreviver. Mas sobrevivi. E mais: não quebrei absolutamente nenhum osso. Um médico que vinha logo atrás de mim na estrada foi quem me salvou — um anjo no momento certo.
Aprendi nesse dia que não estamos aqui por acaso. Que existem momentos em que a providência age de formas que a razão não explica. E que, quando você escapa de algo assim, a única resposta coerente é viver com mais intensidade — e mais gratidão.
A COVID — 2020
Em 2020, enquanto o mundo parava, eu estava praticamente partindo. A COVID me levou ao limite. Em um momento que ainda guardo como um dos mais íntimos da minha vida, tive uma visão da minha família — minha esposa e meus três filhos — acenando, me chamando de volta.
Voltei. E voltei diferente. Com mais clareza sobre para onde estava indo. Com menos tolerância para o que não tem propósito. E com uma certeza que carrego até hoje: tudo que construo, construo porque ainda estou aqui para construir.
Cada um desses momentos poderia ter sido o fim. Não foram — foram recomeços. E é por isso que, quando as pessoas me perguntam de onde vem minha energia para projetos como o Canela Beach Resort, eu respondo com honestidade: vem de saber que cada dia é uma segunda chance. E segundas chances não se desperdiçam.